Ruben Rua critica televisão portuguesa: “Ou arriscamos ou desaparecemos”
Apresentador aponta excesso de preocupação com audiências e falta de inovação nos formatos nacionais

Afastado da televisão desde o fim do programa “Em Família”, da TVI, que apresentou entre 2021 e 2025, Ruben Rua falou abertamente sobre o estado atual do pequeno ecrã em Portugal. O apresentador marcou presença no podcast “Promenade Presents”, onde esteve à conversa com o realizador Justin Amorim e deixou críticas claras ao modelo televisivo nacional.
Confrontado com a pergunta “O que é que te irrita mais na televisão portuguesa?”, Ruben Rua não hesitou em apontar a forte dependência dos números de audiência como um dos principais entraves à evolução do setor.
“As pessoas trabalham para a audiência de hoje, que sai amanhã, e há uma pressão gigante com os números”, afirmou, explicando que essa lógica imediatista acaba por travar a criatividade e a vontade de inovar por parte dos responsáveis pelos conteúdos.
Segundo o comunicador, existe uma tendência para “jogar pelo seguro”, apostando em fórmulas repetidas e direcionadas a um público mais envelhecido, em vez de se arriscar em formatos diferentes. “Porque é que as manhãs têm de ser daquela maneira? Será que temos de ter três novelas? E se tivéssemos só uma?”, questionou, defendendo uma reflexão profunda sobre a estrutura atual da programação.
Ruben Rua comparou ainda a situação da televisão com a rádio, que considera um exemplo de reinvenção bem-sucedida. “Toda a gente achava que a rádio ia morrer e não é verdade. A rádio reinventou-se e está forte e viva”, destacou, sugerindo que o pequeno ecrã ainda não encontrou o caminho para garantir o seu futuro.
O antigo rosto da TVI, que integrou formatos como “VivaVida”, “Like Me” e “Somos Portugal”, deixou um aviso claro: “O grande público que vê televisão hoje daqui a 10 ou 20 anos já não existe. Ou arriscamos e transformamos, e podemos sobreviver, ou ficamos onde estamos, ganhamos hoje, mas amanhã já não vamos estar cá”.
As declarações reacendem o debate sobre a necessidade de adaptação da televisão portuguesa aos novos hábitos de consumo e às gerações que se afastam cada vez mais do ecrã tradicional.



