Ventura ataca demissão de Maria Lúcia Amaral e exige “competência real” na Administração Interna
Líder do Chega considera que saída da ministra em plena crise revela desorientação do Governo e pede escolha técnica, não partidária, para a sucessão.

O presidente do Chega, André Ventura, criticou esta quarta-feira a demissão de Maria Lúcia Amaral do Ministério da Administração Interna, considerando que a saída da governante “no meio de uma catástrofe é sinal de desorientação”.
Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, Ventura defendeu que “um governante não sai quando está pressionado, não sai quando as pessoas mais precisam dele ou dela”. Ainda assim, sublinhou que a demissão “já devia ter acontecido antes”, apontando aquilo que classificou como “gritante incapacidade” do Governo na gestão de crises recentes.
A demissão foi comunicada na terça-feira à noite e a pasta será assumida de forma transitória pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Exigência de competência técnica
André Ventura apelou a que o sucessor seja escolhido com base na competência e experiência operacional. “É preciso alguém com conhecimento do terreno, das contingências e da operacionalidade”, afirmou, defendendo que a decisão não deve obedecer a critérios partidários.
O líder do Chega aproveitou ainda para criticar a estrutura da Administração Interna, defendendo uma “reformulação profunda nos serviços do Estado” e o afastamento do que chamou de “erros de casting” que, no terreno, “se têm revelado um desastre do ponto de vista político”.
Ventura apontou igualmente críticas à Proteção Civil e aos bombeiros, alegando que continuam marcados por nomeações políticas em vez de critérios técnicos.
Estado “capaz e profissional”
“Que esta tragédia sirva para limparmos o Estado da inutilidade e para começarmos a focar-nos num Estado capaz e profissional”, afirmou, defendendo maior eficiência na resposta às populações afetadas.
O dirigente reforçou ainda a necessidade de prolongar a situação de calamidade, de forma a garantir o máximo de apoios possíveis, incluindo fundos europeus, e pediu rapidez na chegada dos recursos às regiões em risco.
Quanto ao debate quinzenal previsto para esta quarta-feira, Ventura explicou que o Chega concordou com o adiamento para sexta-feira, defendendo que o primeiro-ministro deveria estar “no terreno”, junto das populações afetadas, nomeadamente em Coimbra, onde existe risco de cheias e danos em infraestruturas.
Apesar das críticas, Ventura assegurou que o Chega continuará a acompanhar a gestão da crise, exigindo responsabilidades e defendendo um Estado mais preparado e eficaz.



