Salvador Sobral abandona Spotify e acusa plataforma de desvalorizar artistas
Cantor português critica baixa remuneração por stream e denuncia promoção de músicas geradas por Inteligência Artificial.

O cantor português Salvador Sobral anunciou esta semana a retirada de todos os seus álbuns da plataforma Spotify, numa decisão que classifica como um protesto contra o modelo de remuneração e as políticas atuais do serviço de streaming.
Segundo o artista, os pagamentos realizados pela plataforma “não excedem 0,003 cêntimos por reprodução”, sendo que apenas músicos que atinjam pelo menos mil streams por faixa recebem remuneração. Para Salvador Sobral, esta política é injusta e penaliza sobretudo artistas independentes ou com menor alcance comercial.
Além da questão financeira, o cantor manifestou preocupação com a promoção de músicas geradas por Inteligência Artificial. De acordo com o próprio, a plataforma tem colaborado com grandes editoras na criação e inserção deste tipo de conteúdos em playlists como “Descobertas da Semana”, acumulando milhões de reproduções sem beneficiar diretamente os artistas humanos.
O músico considera que estas práticas “desumanizam e banalizam a música”, defendendo maior transparência e equidade no setor digital. Esta não é a primeira vez que Salvador Sobral se posiciona criticamente em relação às condições oferecidas pelas plataformas de streaming.
Como alternativa, o artista revelou ter optado pela utilização da plataforma Qobuz, que descreve como mais “justa e ética”, destacando o modelo de remuneração e a qualidade do serviço.
A decisão gerou forte repercussão nas redes sociais, com fãs e profissionais da música a manifestarem apoio e a reacenderem o debate sobre a sustentabilidade económica dos artistas na era do streaming digital.



