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Crise na AMM: Músicos de Tete batem o pé e defendem eleições

Classe artística defende a transparência e a legitimidade do processo eleitoral recente.

Um grupo de músicos, compositores, intérpretes e agentes culturais da província de Tete manifestou publicamente a sua preocupação e indignação face à decisão do Secretariado Nacional da Associação dos Músicos Moçambicanos (AMMO) de não reconhecer como legítimas as eleições dos órgãos sociais da delegação provincial, realizadas no passado dia 2 de maio de 2026.

A reação surge após uma comunicação oficial emitida em Maputo, datada de 20 de maio de 2026, na qual o Secretariado Nacional da AMMO declarou a invalidade do processo eleitoral em Tete, alegando irregularidades na forma de apresentação das candidaturas e na composição das estruturas anunciadas após o escrutínio.

Segundo o documento, o órgão central entende que as candidaturas deveriam ter sido organizadas em listas completas, conforme os estatutos da associação, contemplando representantes da Assembleia Provincial, Secretariado Provincial e Conselho Fiscal e Jurisdicional. No entanto, de acordo com o relatório analisado, o processo em Tete teria sido conduzido através de candidaturas individuais, o que, segundo a direção nacional, compromete a legitimidade do pleito.

Outro ponto levantado pelo Secretariado Nacional está relacionado à atuação do músico Rosário Seda, apontado como vencedor do processo eleitoral. A direção da AMMO considera inadequada a sua postura pública antes da confirmação formal da eleição pelo Secretário-Geral, além de questionar a criação e divulgação de cargos e estruturas que, segundo a organização, não constam nos regulamentos formais da associação.

Diante destas alegações, o Secretariado Nacional decidiu não reconhecer os resultados das eleições e orientou a realização de um novo escrutínio, após um período de gestão interina, que deverá contar com acompanhamento direto de representantes da direção nacional.

Entretanto, a decisão gerou forte reação entre músicos da província de Tete, que saíram em defesa da legitimidade do processo eleitoral e da vitória de Rosário Seda. Em carta dirigida à Direção Nacional da AMMO, os signatários sustentam que as eleições decorreram num ambiente participativo, pacífico e democrático, com ampla adesão dos músicos locais.

Os artistas afirmam que o voto foi exercido de forma livre, sem intimidações ou manipulações, refletindo a vontade legítima da classe artística da província. Para os contestatários, as questões levantadas pelo Secretariado Nacional deveriam ter sido harmonizadas antes da realização das eleições, e não utilizadas posteriormente como justificativa para invalidar o processo.

Na mesma carta, os músicos alertam que a não aceitação dos resultados pode representar um desrespeito à vontade democrática da classe artística e comprometer a confiança dos membros na estrutura associativa. Também defendem que a mobilização liderada por Rosário Seda após as eleições deve ser interpretada como demonstração de liderança e compromisso com os músicos, e não como insubordinação.

Os signatários apelam agora ao diálogo institucional e à revisão da decisão tomada pelo Secretariado Nacional, defendendo uma solução equilibrada, transparente e inclusiva, que preserve a unidade da associação e o respeito pela vontade dos músicos de Tete.

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